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Motoristas falsificam a ARLA 32

Uma estratégia irresponsável que pode custar caro ao dono do veículo. Para economizar minimamente, alguns motoristas, especialmente frotistas, estão tentando produzir, de forma caseira, uma solução de ureia que se assemelhe ao Arla 32, reagente de uso obrigatório para veículos com a tecnologia SCR (Redutor Catalítico Seletivo), produzidos para a fase P-7 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) e que utilizam o diesel S10. Obviamente, o produto falsificado não atinge as mesmas especificações do Arla 32, que é aprovado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). A utilização equivocada pode causar danos irreversíveis a um dos componentes mais caros desses veículos: o catalisador, que é justamente a peça que mais contribui para a baixa emissão de poluentes. Um catalisador para veículo com motor Euro V e tecnologia SCR pode custar até R$ 20 mil.

Produzir Arla 32 de forma caseira pode parecer fácil. É possível comprar ureia com facilidade no mercado de fertilizantes. O problema é misturá-la na dosagem correta e com água desmineralizada. Além disso, as impurezas que resultam de um processo inadequado são muitas. “O que será produzido será apenas uma solução de ureia. Para mercado HC-LNC, um possível substituto A empresa norte-americana Tenneco, representada no Brasil pela Monroe,

anunciou recentemente um novo produto que surge como alternativa para o Arla 32. Conhecida como HC-LNC, sigla de Hydrocarbon Lean NOx Catalyst, a solução consiste em etanol hidratado como reagente para reduzir quimicamente as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) nos gases de escape de veículos a diesel. solução de ureia não é adequada; postos devem se assegurar de vender produtos de qualidade para evitar dor de cabeça ser chamado de Arla 32, tem que atender às especificações da norma ABNT NBR ISO 22241, o que dificilmente se conseguirá numa fabricação caseira”, explica o diretor da Divisão de Arla 32 da Yara Brasil, produtora do reagente, Achille Junior.

Para os postos de combustíveis, a maior preocupação deve ser a qualidade dos produtos que revendem. “Se houver algum problema com o veículo em função do mau uso do componente, o motorista pode querer atribuir o defeito ao posto, acusando-o de vender produtos adulterados. Mas isso não tem nada a ver. O caminho para o posto é se resguardar vendendo diesel e Arla 32 de qualidade”, ressalta o diretor de Postos de Rodovia da Fecombustíveis, Ricardo Hashimoto.

Portanto, conforme também orienta a advogada Flávia Lobato Amaral, do departamento Cível-Comercial do Minaspetro, o revendedor deve se resguardar quanto à qualidade dos produtos que oferta (confira box na página ao lado).

FROTISTAS

Segundo percepção de revendedores, os consumidores que tentam criar um substituto para o Arla 32 são, principalmente, frotistas, que utilizam o produto em grande quantidade. O vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de Minas Gerais (Setcemg), Gladstone Vieira Lobato, alerta para os riscos. “É uma economia infundada, uma falta de conhecimento. Tenho conversado com colegas e orientado os motoristas da minha transportadora. O caminho, para os frotistas, é educar os motoristas; para os postos, vender produtos dentro das especificações”, afirma o empresário, que também é revendedor de combustíveis.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Confira o que diz o diretor da Divisão de Arla 32 da Yara Brasil, Achille Junior, que falou em nome da empresa, sediada no Rio Grande do Sul.

Qual é a constituição básica do Arla 32 (que produtos estão em sua fórmula)? 

No Brasil, a especificação do Arla foi definida  pela Portaria 29/2008 do Ibama. Fabricação, especificação, armazenagem e transporte seguem especificação da ABNT NBR ISO 22241, que segue os padrões internacionais para o produto. O Arla 32 contém uréia de alta pureza e água desmineralizada. A uréia normalmente ncontrada no mercado (grau fertilizante ou grau técnico) não atende às especificações mínimas.

Para ser comercializado no território nacional, o produto precisa, obrigatoriamente, ser certificado pelo Inmetro. É possível produzir arla 32, ainda que com qualidade incomparável, de forma caseira?

Não. O que será produzido será apenas uma solução de ureia. Para poder ser chamado de Arla 32, tem que atender às especificações da norma ABNT NBR ISO

22241, o que dificilmente se conseguirá numa fabricação caseira. 

Que tipo de defeitos mecânicos o produto adulterado pode acarretar ao veículo? 

Como o Arla é injetado diretamente no cano de escapamento, após a combustão do diesel, qualquer impureza irá diretamente ao catalisador SCR, que é muito sensível a contaminantes e pode ser danificado de forma irreversível. Outras partes, como bombas e bicos injetores, podem ser afetados por produtos fora de especificação.

Que tipo de problemas o veículo pode ter se não utilizar o componente? 

Os veículos P-7 (fase 7 do Proconve) sem o componente de pós-tratamento de gases (SRC) funcionando corretamente seriam um desastre ambiental. Seria como se voltássemos 25 anos do ponto de vista de emissões. Os motores P-7 produzem uma quantidade muito elevada de NOx se comparados aos veículos da fase anterior, porém, com o sistema SCR, essas emissões são reduzidas a níveis muito baixos. Em função disso, as montadoras foram obrigadas a instalar o sistema OBD, que verifica, em tempo real, o funcionamento do sistema SCR. Sem o Arla, o veículo não funcionará. Com o catalisador danificado, ou qualquer outro problema no sistema SCR, o motorista será informado no painel através de uma luz indicativa e, após 48h de mau funcionamento, o OBD cortará a potência do motor. 

A Yara Brasil já teve notícias de falsificação, adulteração ou produção caseira do Arla 32? 

Infelizmente, sim. O Ibama publicou um alerta sobre o tema.

O que a empresa orienta que os revendedores do arla 32 (postos de combustíveis) façam com relação ao problema? De que forma orientar os consumidores? 

Adquirir o produto de fornecedor idôneo e que tenha o certificado do Inmetro. Em caso de dúvida, entrar em contato com o Instituto para verificar se o fornecedor é certificado. É importante salientar que o Inmetro proíbe a venda fracionada de embalagens com menos de 3 mil litros. 

FONTE:  Revista Minaspetro

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